Dez anos de Bang Bang. Dez anos de polêmica.

Hoje em dia as telenovelas buscam caminhos para se manterem relevantes e influentes na cultura popular brasileira em meio a um mar de ficção de qualidade que é oferecida ao público vinda via internet, NetFlix, cabo, etc. Roteiristas, diretores e executivos ainda não encontraram alternativas entre o folhetim tradicional e a vanguarda. Essa busca vem desde muito tempo, quando a Globo ainda não tinha concorrentes.

Bang Bang estreou no dia 3 de outubro de 2005 cercada de muita atenção pela crítica especializada em televisão. Marcava a volta de Mario Prata à TV Globo depois de vinte anos e significava uma espécie de busca de novos caminhos para a novela das sete, horário de muitos produtos vencedores da emissora carioca.

A trajetória de Mario na televisão havia começado muito antes, em 1976 com Estúpido Cupido.

“Em 1968 e 1969 vi todas as peças em cartaz em São Paulo, algumas mais de dez vezes. E assim fui conhecendo os textos, os autores: Guarnieri, Lauro Cesar Muniz, Plínio Marcos, Leilah, Consuelo de Castro, Zé Vicente, Fauzi Arap, Paulo José. Comecei a jantar com esse povo no Gigetto. Tinha 22, 23 anos. Publiquei um livrinho de contos, mimeografado. E todo mundo falando que o meu diálogo era bom. Em 69, escrevi uma peça, Cordão Umbilical. Eu nunca havia lido nada de teatro. Conheci o Bertolt Brecht só porque a Censura Federal havia mandado prendê-lo! Aí, sim, me interessei e comecei a ler peças e livros sobre teatro. Em 1973, 1974 eu fazia uma peça de teatro como ator com a Regina Duarte, que me convidou para escrever um Caso Especial para ela. A princípio a Globo não topou fazer. Mas, por sorte, o Ziembinski, que na época era diretor por lá, leu o texto e, dizem, deu uma porrada na mesa e gritou: Contratem esse cara!. Eu só tinha visto uma novela, dez anos antes: Beto Rockfeller. Fui aprendendo enquanto escrevia.”

Jornalista, economista, dramaturgo, ator. Homem desde sempre multifacetado, nascido em Uberaba e criado em Lins, noroeste paulista, Mario fez muitas novelas mas da década de 1990 em diante seu trabalho tinha se voltado muito mais para seus livros e crônicas publicadas na imprensa do que para a dramaturgia.

A volta dele ao gênero com uma proposta tão inusitada causou um justo frenesi nos veículos de imprensa. Tirar o autor mineiro de seu sossego em Florianópolis, cidade que escolheu para viver e trabalhar, foi obra de Luiz Fernando Carvalho.

“Essa novela começa há 20 anos. Eu estava fazendo Helena na Manchete e comecei a viajar. Pelas tantas, queria colocar no ar uma picape F-1000, em uma história que se passava em 1859. No embalo da piração, escrevi o começo de Bang Bang. Fiz para o Luiz Fernando Carvalho dirigir. O diretor de dramaturgia era o José Wilker. Mas a Manchete deu no que deu e eu fiquei com a idéia na cabeça. Não era uma sinopse, como a que eu entregaria para a Globo no ano passado (2004). Era um esboço de poucas páginas. O importante era a ideia do faroeste. Agora o Luiz Fernando convenceu o Mario Lucio Vaz. Eu não estava mais com vontade de fazer novelas. Minha vida escrevendo crônicas para o Estadão e a Época, e um livro por ano, estava uma beleza. Sabe ficar na rede fazendo palavra cruzada? Mas quando o Luiz Fernando chamou para fazer o Bang Bang eu caí da rede. Eu topei. E mal discuti grana. Porque esta novela eu queria fazer. O Luiz Fernando quis vender como minissérie, mas a Globo queria novela das sete. Ele teve que sair para dirigir o projeto dos novos capítulos do Hoje é Dia de Maria e ficou aquele impasse. Mas, quando eu conheci o Ricardo Waddington e o Zé Luiz Vilamarim, foi amor à primeira vista. Quanto à ideia de ser um faroeste é que, tanto os filmes de bang bang quanto as novelas, ambos têm uma estrutura narrativa muito próxima. Assim como nas telenovelas, os filmes de faroeste também tem o mocinho, a mocinha e o bandido.” (Palavras de Mario Prata em 2005)

BANG BANG NO SBT

Criada para a Manchete, Bang Bang quase foi montada no SBT antes de ir parar na Globo. A produtora Manduri Filmes chegou a orçar a novela e iniciar trabalhos de pré-produção em conjunto com Walter Avancini, diretor de teledramaturgia do canal de Sílvio Santos em 1990. A novela faroeste substituiria Cortina de Vidro, de Walcyr Carrasco. “Pensei no José Wilker para ser o mocinho, na Giulia Gam como mocinha e no Raul Cortez de bandidão. Outros nomes são Marco Nanini, Lucélia Santos, Ney Latorraca, Grande Otelo, Joana Fomm, Cláudio Mamberti, Paulo Goulart, Hugo Carvana, Gianfrancesco Guarnieri e Felipe Camargo,” disse Prata à época.Não deu certo.

“O Sílvio Santos foi ótimo, quem não foi ótimo foi o Brasil: meu projeto previa três anos de duração, mas logo nos primeiros meses fui apanhado pela crise do final de 1990. Todos os objetivos de médio e longo prazo foram por água abaixo. Não fui eu, foi o país que fracassou.” afirmou Walter Avancini. Nem a promessa de co-produção com a TV espanhola Antena III salvou o projeto. Bang Bang voltou para uma gaveta qualquer na casa dos Prata.

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Mario Prata

Em 2005 Prata largou seu espaço fixo no Estadão e na revista Época para se meter novamente na emocionante e cansativa aventura de fazer novela. Sua vida nunca mais seria a mesma.

O diretor de Bang Bang foi Ricardo Waddington, experimentado profissional da Globo com quem Prata nunca tinha trabalhado. Luiz Fernando Carvalho, que dirigiria a novela tanto na Manchete quanto no SBT, foi cuidar de outro projeto e Ricardo assumiu, com prazer e muita vontade de fazer dar certo. “O faroeste não chega a ser uma novidade. Muito pelo contrário. É uma referência forte. América (novela das oito da TV Globo na época), inclusive, não me deixa mentir. Nosso rural tem muito a ver com o western. Chapéu, calça, bota… Uma espora e um cavalo. É tudo muito parecido. Acho que a novela tem tudo para dar certo… Teremos plena liberdade para interpretar o gênero à nossa maneira. A novela vai ter toda uma leitura contemporânea/pop do western. Vamos gravar em San Pietro de Atacama, no Chile, as cenas de deserto, mas vamos também satirizar o atual momento político brasileiro. Em Albuquerque, teremos medidas provisórias, horário político eleitoral, essas coisas…”

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Ricardo Waddington

Ricardo escalou um elenco experiente no atacado e completamente verde no varejo. Pra cada Ney Latorraca havia um Luiz Melodia. Pra cada Joanna Fomm havia uma Fernanda Lima. Fernanda aliás foi pivô de grandes polêmicas nesta novela.

Ricardo disse que “a ideia foi nossa, da Globo. Ela passou por alguns testes e foi bem em todos eles. Acho que ela vai se dar muito bem na novela e acho também que vamos nos dar muito bem. Além disso, não é a primeira vez que lanço gente nova como protagonista. Já tive várias experiências legais nesse sentido. A última delas, inclusive, foi com a Vanessa Giácomo em Cabocla. Escalo personagens e não atores. A minha maior preocupação é ter pessoas adequadas aos papéis e não grandes nomes no elenco. Quando não tenho o ator adequado, pego a pessoa e faço o ator. Em Bang Bang, eu tinha um personagem inspirado no Sam, de Casablanca. Na mesma hora, me veio o Luiz Melodia à cabeça. Podia procurar um ator negro que soubesse tocar piano. Mas por que não o Luiz? Resolvi arriscar…”

Prata afirmou que “a Fernanda Lima foi ideia do Ricardo. Eu e Mario Lúcio assistimos o teste e batemos o martelo. Vai dar certo. Não tem ninguém no elenco indicado pelo Ricardo e pelo Zé Luiz que não teve o meu aval. E vice-versa”.

As revistas comentavam sobre o fim do relacionamento de Fernanda com Rodrigo Hilbert. E sobre as seguidas vezes em que Fernanda foi vista na noite com Ricardo Waddington. Misturavam os elementos profissional e privado como se ela não fosse uma mulher adulta, dona de seu nariz e livre pra fazer de sua vida o que quisesse. Mario Prata confiou em seu trabalho, Mario Lucio Vaz confiou em seu trabalho, Ricardo idem, e pronto. Nascia Diana Bullock.

“Eu tinha um convite para fazer cinema, mas alguma coisa me levou a apostar na Globo, no trabalho que eu tinha começado. Ricardo Waddington me chamou para um teste e Mario Lúcio Vaz insistiu para eu fazer Bang Bang. Eu estava empolgada no começo. No segundo dia de novela, começou a pancadaria. E foi até o final. Se arrependimento matasse… Tem gente que me vê chegar e pensa: Ih, lá vem a ex-modelo. Tenho que ser corajosa, não tem jeito. Claro que quando cheguei houve isso. Mas com o tempo vou provando que não quero só mostrar meu rosto, que tenho vontade e gana de fazer o trabalho, que tenho interesse e curiosidade. […] A beleza ameaça. Para rebater as pessoas usam o preconceito. Elas vêem no sucesso do outro um empecilho para o seu próprio. Tem uma concorrência forte. Não vou ficar gorda e feia para ser aceita. Vou estudar, ler e melhorar cada vez mais.”

De fato, Fernanda foi uma das pessoas mais atingidas pelo insucesso da novela.

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Bruno Garcia (Ben Silver), Fernanda Lima (Diana Bullock) e Marcos Pasquim (Crazy Jake).

Mario Prata disse pouco antes da estreia que “o principal personagem da novela é a cidade. São 46 pessoas que moram ali e todos me interessam. E eu espero que interessem também ao público. Não vai ter esse negócio de o casal principal da novela ter 30% ou 40% da ação. É mais ou menos como em Estúpido Cupido, onde todos os personagens eram tocados com carinho e paixão. Nesta fase estou escrevendo uma média de seis capítulos por mês, pois antes da estréia o autor não se limita apenas a escrever. Na sexta-feira passada, por exemplo, estive no Rio e conversei num dia com exatas 25 pessoas. Planos de lançamento, logo, abertura, imprensa, festa de lançamento, ver testes de alguns atores, ir ver ensaios, figurinos, maquetes, merchandising. Agora, quando a coisa começar, a partir de 3 de outubro, vai ter que ser um por dia. Acho que trabalhando 10 horas por dia dá para fazer um negócio bem feito. Prefiro trabalhar de manhã. Estou trabalhando com o que eu chamo de ‘os meus meninos’: meu filho Antonio Prata e outro jovem escritor, o Chico Mattoso, da geração do Antonio. O outro menino é o Reinaldo Moraes que já passou dos cinqüenta, mas continua um menino, e fez Helena comigo na Manchete. Estou achando difícil esta divisão. Todos são muito criativos… Mas não dá para fazer sozinho. São 40 páginas por dia! Mentalmente até que daria, mas fisicamente não. O cigarro… Temos prontos para gravar 18 capítulos. Mas até o 30 já está armado. Quero ter os 30 prontíssimos no dia da estréia. A Globo pediu 24, mas quero uma margem maior. Dizem que, neste horário, 35 de ibope é a média. Bang Bang não vai dar isso. Ou dá 40 ou mais, ou 30 ou menos. Porque ela é diferente. Veja bem, não estou dizendo nem que ela é melhor nem pior das que a antecederam. Estou dizendo, como você mesmo formulou na sua pergunta, que o formato é diferente. E isto nem eu nem os diretores e nem a Globo sabemos no que vai dar. Estamos nos divertindo muito. Se o público se divertir, missão cumprida (além de comprida, é claro).”

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ENFIM, A NOVELA

Dia 3 de outubro chegou, a noite caiu e enfim a novela estreou. O primeiro capítulo deu excelente IBOPE, a abertura com bonequinhos animados e o delicioso tema musical instrumental dos The Bambi Molesters empolgou e tudo parecia ir muito bem. O western feijoada parecia fadado ao sucesso.

A novela começava com um flashback do passado de Ben Silver (Bruno Garcia). Um desenho animado inspirado nos traços dos animes orientais mostrava a chacina que acabou com a família de Ben, comandada por Paul Bullock (Mauro Mendonça). O menino sobreviveu e decidiu um dia voltar à pequena Albuquerque para acabar com o homem que destruíra sua família e seus sonhos.

Na volta à Albuquerque ele pega carona clandestina na diligência de Diana (Fernanda Lima) e Jeff Wall Street (Guilherme Fontes). No meio do deserto a diligência é assaltada e Ben se junta a Diana na briga com os bandidos. A troca de olhares, nascia a paixão que o impediria de matar Paul Bullock, pai de Diana.

Abertura da novela

Sequência inicial da novela, incluindo o anime que conta a história de Ben Silver.

Todavia, na capital de Santa Catarina, um drama corria em paralelo à comédia no Velho Oeste coberta de êxito em seu primeiro capítulo. Prata sentia os efeitos de um tendinite calcária causada pelo excesso de trabalho. “A Globo me pediu 24 capítulos para estrear, eu fiz. Mas a minha intenção era chegar a 30. Acontece que, depois de três dias escrevendo 16 horas em cada, fui pegar uma garrafa, ela caiu da minha mão. Não tinha força no braço. Já era a tendinite.”

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Na festa de lançamento da novela, Mario Prata já apareceu com o braço imobilizado.

“Me convenci a duras penas de que seria como pedir demissão de um emprego, e comuniquei à Globo. A única divergência foi quando disse que iria a um spa médico. Spas, para eles, eram aqueles de emagrecimento. Tiveram medo de abrir precedente. Passei um e-mail para o Ary Moreira, que substituía o Mário Lúcio Vaz, na época enfartado, dizendo que estava constrangido de continuar recebendo. Ele foi elegantíssimo, disse que cumpriria o contrato até o fim e ainda me colocou médicos à disposição.”

O problema físico do autor da novela se somou a outros diversos problemas que conspiraram contra a excelente ideia inicial. É preciso lembrar que a TV Globo não convocaria para o trabalho um autor diferente da centena de autores que tem à disposição se tudo estivesse indo muito bem em suas novelas. A chamada de Mario Prata de volta ao horário das sete significava que a TV Globo estava querendo retomar o caminho da experimentação em sua teledramaturgia. Mais que um capricho de um escritor e um diretor, o faroeste latino era uma tentativa da emissora de reconquistar a vanguarda da criação e sair de um certo marasmo que já se fazia presente dez anos atrás (e que hoje faz a Globo estar prestes a perder a hegemonia em seu principal horário).

No segundo capítulo de Bang Bang a audiência caiu drasticamente. Começava a chuva de críticas, justas ou injustas, que soterraram a equipe da novela em um mar de negatividade e maledicência poucas vezes antes visto. As principais vítimas foram, indubitavelmente, Mario Prata e Fernanda Lima.

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Penny Lane (Alinne Moraes) e Neon Bullock (Guilherme Berenguer)

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Zoltar (Rodrigo Lombardi)

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Joe Wayne (Jece Valadão)

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Úrsula McGold (Marisa Orth)

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Nas pontas as deliciosas Naides, Henaide (Evandro Mesquita) e Denaide (Kadu Moliterno).

Ao centro Calamity Jane (Betty Lago)

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Diana (Fernanda Lima) e Ben (Bruno Garcia)

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O CALVÁRIO

“Não escrevia uma novela há 20 anos. Em Estúpido Cupido, de 1976, escrevia sozinho; cada capítulo tinha 16 laudas. Agora, são cinco pessoas, e cada capítulo tem 42 laudas. Mais complicado. Disseram que eu tinha sido demitido por causa do meu temperamento irascível. E que a Globo não estava fazendo o que eu queria. Ninguém teve a ideia, básica em jornalismo, de perguntar o telefone do meu ortopedista.”

Prata se afastou da novela. Admitiu em várias oportunidades sua inabilidade para gerir a equipe de colaboradores, incluindo-se seu filho, o excelente Antonio Prata (hoje na equipe de A Regra do Jogo).

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Antônio Prata

“Eu não sei administrar tanto colaborador. Acordava às 8, escrevia três laudas do que eu queria no capítulo, mandava para a Márcia [Prates, uma das colaboradoras], que escaletava [separava cena por cena]; aí ela enviava para os outros colaboradores, que faziam os diálogos. Tudo voltava para mim, eu dava o tom –com atenção para não ferir suscetibilidades. [Rindo] Aí, era meia-noite. Começou a acontecer algo decorrente da minha desorganização. O Antônio me disse: Pai, eu não escrevo mais se não houver método. Chegou em casa com seis cartolinas e colou na parede: O capítulo de hoje começa aqui, termina ali, disse. Só que novela é uma obra aberta. Então, de repente, eu tinha uma ideia que não estava nas cartolinas dele. Tivemos uma conversa bonita, ele me disse: Pai, a gente está brigando na vida real por personagens que não existem.”

A novela era bombardeada diariamente por uma chuva de críticas. O estilo de crônica do autor era apontado como culpado pela não aceitação da novela pelo público. A falta de ganchos fortes para os capítulos, o elenco inexperiente… A Revista Veja foi o principal veículo do massacre.

“Eu acho um sucesso ler três páginas da Veja falando mal. Eles amam odiar. E a minha é, pelo visto, a novela mais odiada da história. Um mérito.  Se eu escrevesse uma carta para o Roberto [na verdade, o jornalista Ricardo Valladares, crítico de TV da “Veja”], eles iam me “carcar” mais ainda [rindo]. Agora: a “Veja” sempre foi uma revista séria, e dá informações erradas. Fala que a média de audiência das 19h é 35 pontos, quando na verdade é 30. E que a novela vai sair do ar antes do estipulado, 21 de abril. A data é essa desde o início. A diligência passou por cima da minha cabeça, tronco e membros. Fui parar em um psicanalista pela primeira vez na vida. Dez sessões.”

O IBOPE de Bang Bang caia na mesma medida em que os índices da novela da Record subiam. Prova de Amor, escrita por Tiago Santiago e dirigida por Alexandre Avancini, era a antítese de Bang Bang. Tinha mais romance, menos humor, muito mais violência e tiros do que a novela western, por incrível que pareça.

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A violência esteve também no fulcro de todos os problemas que atrapalharam a novela. Bang Bang já estava sendo produzida quando foi aprovado o referendo do desarmamento. Parecia estranho a muita gente que uma novela da TV Globo se passasse no Velho Oeste americano e tivesse as armas como parte fundamental de sua narrativa ao mesmo tempo em que o país ia às urnas para bani-las de seu cotidiano. “Eu já tinha escrito seis capítulos quando estourou essa história. Nos intervalos serão intercalados comerciais da campanha do governo. Horário das 7, hora da janta, não vai ter sangue. Por isso os personagens lutam artes marciais”. Resultou que as armas foram “escondidas” na novela. Albuquerque também proibiu seus cidadãos de andar armados. A misturança entre política, a crise do governo Lula, a polêmica das armas e uma novela que delas dependia para existir não foi benéfica pra ninguém.

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Dia 23 de outubro o povo votou não no referendo. E continuou não sintonizando em massa na TV Globo para acompanhar as peripécias da população de Albuquerque, muito embora a novela seguisse líder de audiência. Eu, particularmente, sempre gostei muito da novela como ela foi concebida. Os ganchos não me faziam a menor falta, muito pelo contrário. A estética diferenciada da novela era o que me conquistava. O texto de Mario Prata era realmente diferente do que estávamos acostumados a ver nas novelas. Era melhor! Conciso, direto, irônico, cheio de gags e situações nonsense que me falavam diretamente ao coração.

Eu era acostumado com o texto do Prata desde a adolescência. Era apaixonado por suas crônicas de jornal, pelos livros que devorava em bibliotecas e sebos que frequentei desde moleque. Mario Prata representa para mim e muitos de minha geração, a mesma coisa que Fernando Sabino, Rubem Braga, Carlos Drummond de Andrade e Paulo Mendes Campos representaram para ele.

Para mim Bang Bang era pura diversão, puro deleite. Eu não acreditava nas críticas que lia. Como assim não estão entendendo? Como é possível que não achem engraçada? Era frustrante. Se eu, um mero fã e telespectador, me sentia assim, dá pra imaginar o desalento que tomou conta da equipe.

A novela concorrente tinha muitos méritos, era muito bem feita, mas não tinha a inteligência e a graça de Bang Bang. Mas contou com a imediata simpatia da imprensa especializada. Afinal de contas, era uma novela que ameaçava a antipática TV Globo. Natural que a situação chamasse a atenção.

A imprensa deitou e rolou. Prata se afastou, os colaboradores tocaram a novela. A audiência caia dia a dia.

O FATOR LOMBARDI

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Carlos Lombardi (de rosa) e eu.

Carlos Lombardi foi convocado para auxiliar a equipe de Bang Bang a tocar a novela. Assistiu tudo o que havia de Deadwood, série western americana, para entrar no clima da novela, pegar o linguajar dos personagens desse universo. Fez sugestões, leu capítulos, deu ideias.

“Só vou dar palpite, dizer para onde os autores devem ir. Serei uma fada da Cinderela interpretada pelo Bussunda. Houve um erro ao tirarem a comédia e darem uma guinada à direita, partindo para o melodrama. Não acho que essa novela sobreviva sem comédia. Desse jeito [tentando ser realista] parece que estamos vendo novela com as pessoas fantasiadas. Se vai manter esse visual, esse figurino, essa proposta radical farsesca do lugar e do tempo que não existe, não dá para ter personagem que não faça comédia. Bang Bang desequilibrou para o melodrama. É hora de equilibrar. Defendo que ela volte a ser mais Mario Prata, desde que as piadas sejam compreensíveis.”

Ele fez o que se propôs fazer. Afastou-se e voltou a preparar sua novela Pé na Jaca. A audiência de Bang Bang continuou ruim. Uma das sugestões de Lombardi era a de que um terremoto destruiria Albuquerque, e a novela seguiria com as histórias dos descendentes daqueles personagens, já na contemporaneidade. A ideia, inspirada na solução que Janete Clair deu à novela Anastácia, a Mulher Sem Destino de 1967, foi recusada por ser radical demais.

Ele acabou abandonando sua própria novela para assumir de vez o comando do barco das sete com a equipe que já estava lá. “Fernanda Lima é verde, mas não é ruim.”, diagnosticou de cara. Fernanda acabou sendo protagonista de Pé na Jaca no ano seguinte, inclusive. “Tentei equilibrar comédia, drama e ação. Três dados que já faziam parte do projeto original. A diferença é que quando faço comédia tendo mais às tradições da Sitcom ou do teatro ligeiro europeu. Estamos adaptando o que temos de acordo com as necessidades.”

A foto acima foi tirada em 2013, quando estive com o Lombardi gravando cenas para o meu primeiro filme, Usineiros de Sonhos, ainda inédito. Bang Bang foi um dos principais assuntos de nosso papo.

Lombardi achava a novela mal concebida. Tinha a certeza de que aquele material renderia um excelente seriado, mas não uma novela. Achava que a novela não tinha expectativas de curto e médio prazo, essenciais para o sucesso de uma novela. Citou inclusive uma cena onde Ben Silver tem Paul Bullock na mira de seu revólver. O mocinho hesita e abaixa a arma por amor a Diana. Lombardi acha que a novela acabou ali.

Criticou ainda os nomes em inglês escolhidos por Prata para os personagens. Hoje, ao vermos a novela Os Dez Mandamentos da TV Record alcançar a liderança com personagens chamados Hamsés, Henumitre, Ahmós, Amenhotep e Nefertári, percebemos que os nomes estrangeiros não tem tanta influência assim no IBOPE de uma novela.

Sobre os nomes, Prata disse que “não têm nenhuma relação com as personalidades. Eu era um garoto que amava os Beatles e os Rolling Stones. E a Marilyn e o James Dean. Penny Lane, por exemplo, quando eu ouvia pelas primeiras vezes a música dos Beatles, nos anos 60, não sabia bem inglês e achava que era o nome de uma garota. Cresci com a Penny Lane na cabeça. Mesmo quando descobri que é uma rua de Londres (ou seria de Liverpool?), para mim, continua a ser aquela garota que eu imaginava. Mais ou menos com o jeitão da Alline Moraes (atriz). Marilyn Corroy é uma homenagem àquela deusa a quem venho rendendo homenagem desde a adolescência. Ben Silver é uma homenagem a um meu tio-avô que se chamava Ben Prata (Silver, portanto) e foi prefeito de Uberaba (onde nasci) e tinha tiradas deliciosas e autoritárias. Bullock em inglês significa boi castrado. É o nome do crápula da história e que cria gado. Tem personagens que eu fui dando o nome sem ter a mínima idéia de onde surgia. Dong-Dong, por exemplo, surgiu quando pensei no personagem. Já a Vegas Locomotiv é porque é uma prostituta que chega nas cidadezinhas sempre antes da locomotiva, pois sabe que, com o trem, vêm o progresso e o dinheiro. Tem o Bike Boy, que é um garoto que anda de bicicleta, que corresponde aos nossos motoboys de hoje.”

Os capítulos da novela perderam 15 minutos, ficando mais curtos (e muito melhores, na minha modesta opinião). Lombardi fez uma espécie de refundação da novela dando cores mais românticas ao relacionamento entre Ben e Diana, injetando melodrama nas tramas principais e comédia rasgadas nas paralelas. O relacionamento de Prata com a equipe foi bom, embora ele tenha gostado mais de trabalhar com Felipe Miguez, Antonio Prata e Chico Mattoso.

Entrevistei Reinaldo Moraes para o mesmo filme para o qual entrevistei o Lombardi. Ele disse o seguinte sobre a novela:

“O Prata sempre foi um bom amigo. No trabalho brigamos muito, mas sempre acabamos nos entendendo. Foi ele quem me ensinou os rudimentos da artesania teledramatúrgica. Devo isso a ele – uma grande dívida, aliás. O problema de Bang Bang é que não havia esquema nenhum que funcionasse. O Prata concebeu a novela junto com seu filho Antônio e o escritor Chico Mattoso. Depois entrei eu pra tocar os capítulos. Mas o Prata se recusava a fazer escaletas, que é o esquemão dos capítulos, cena a cena. Isso invibializava um trabalho coerente de equipe. Muito em função dessa inabilidade, o Prata acabou pirando feio quando a novela estreou. Ficamos na mão de uma excelente escaletista – a Márcia Prates – que, no entanto, não tinha assumidamente a menor identificação com a trama e mesmo com o gênero western – e nem mesmo com o tom de comédia que a coisa tinha. Aí, do meio pro fim, entrou o Carlos Lombardi, que é fera no texto, mas é de um personalismo indevassável. Ele nos pedia cenas que NUNCA usava. Desesperador…”

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Reinaldo Moraes

Outra providência imediata de Carlos Lombardi ao assumir a novela foi diminuir a importância dos personagens (ou até mesmo retirar da novela) interpretados por músicos. Ele alegava que os capítulos estavam sendo gravados em cima da hora por causa do roteiro de gravação que era feito em cima das necessidades de atores como Luiz Melodia e Paulo Miklos, que podiam gravar uma ou duas vezes por semana por conta de sua agenda de shows.

Paulo Miklos declarou ao final da novela que “a ideia da novela era mesmo ser uma coisa experimental. Além disso, nunca houve nada parecido na tevê. A trama tinha realmente uma proposta diferente. É uma grande comédia, com direito a histórias de faroeste. Na minha modesta opinião, talvez o problema tenha sido o fato de não ter tido uma trama mais dinâmica, que a própria estrutura de uma novela necessita. Ficou provado que era preciso fazer algumas mudanças e as pessoas correram atrás do prejuízo. Mas acredito que foi um aprendizado para todos.”

A novela, de fato, ficou mais ágil. Lombardi trouxe de seu panteão alguns deuses para ajudar a novela a escalar a montanha do IBOPE. Criou personagens como Mac Mac (Iran Malfitano), George Lucas (Murilo Rosa), a proprietária de terras Viúva Clark (Luciana Braga), Dona Zorrah (Nair Bello) e Calamity Jane (Betty Lago), entre outros. Lombardi a certa altura se apropriou da novela. Tornou-se mais uma de suas deliciosas comédias cheias de sarcasmo e aventura.

Apropriou-se tanto que fez Viridiana (Joanna Fomm) descarregar um rifle de dois canos, serrado, em Bullock (Mauro Mendonça) e não acertar nenhuma bala, fazendo uma costumeira homenagem à sua colega Glória Perez. Explica-se: Glória criou em sua novela Carmem, exibida na extinta TV Manchete, em 1987, uma cena que Lombardi considera inesquecível, na qual uma mulher ciumenta descarrega um revólver no marido traidor e não o acerta.

O IBOPE se estabilizou mas nunca foi uma maravilha.

Mario Prata deu uma célebre entrevista à Folha de São Paulo onde comentava a participação de Carlos Lombardi na novela e os defeitos que ela tinha: “Ficou pop: muita citação, Beatles, Yellow Submarine, nomes em inglês. O público de TV aberta é a classe D e E, que nem sempre tem informação para entender. Eu não estava acostumado a explicar a piada. Meu nome continua nos créditos, e eles ainda me pagam. Sim, acompanho a novela e o Ibope. Sou economista, lido bem com isso. Na verdade, são quatro novelas [rindo]: eu comecei com três colaboradores; saí, entraram mais dois; aí, entrou o [Carlos] Lombardi; saiu, voltaram só os colaboradores. Sempre teve em média 28 pontos de audiência. No período do Lombardi, caiu para 26, mas depois voltou. O Lombardi, que eu admiro muito, matou 15 personagens e tirou a camisa de outros. Ele pegou uma novela escrita por outro, é difícil.”

O SALDO

“Na época de Bang Bang eu tinha pouco mais de 20 anos. Uma amiga, já na casa dos 50, adorava a novela e se divertia com as muitas referências ao gênero western, o que era a própria essência da narrativa. Para mim, que não sou fã desse gênero de filmes e assisti a poucos títulos, foi difícil fazer qualquer conexão. Via a novela por ela mesma. E, apesar de aguardar sua estreia com boa expectativa, confesso que foi meio decepcionante. A entrada do Lombardi deu um novo rumo à trama, depois da saída do Prata e das diversas dificuldades enfrentadas pelos colaboradores noticiadas pela imprensa. Lombardi deu graça e dinamismo a Bang Bang, sem alterações radicais (pelo menos não que eu me lembre).”

Tabajara Moreno, jornalista, Manaus-AM

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Lombardi entregou o horário com dignidade para a novela seguinte. Bang Bang foi líder de audiência de ponta a ponta. Com todas as alterações, ainda assim a alma da história concebida por Mario Prata em 1986 permaneceu intacta. A trama, injustamente execrada pela mídia, angariou uma legião de fãs fiéis que deram sustentação à novela.

Hoje no YouTube encontra-se Bang Bang na íntegra disponível para download. Nos comentários a imensa maioria é elogiosa e saudosa daquela época.

Bang Bang é uma novela que revelou muita gente. Rodrigo Lombardi e Ricardo Tozzi saíram dali para a galeria de galãs globais. Fernanda Lima fez mais uma novela e partiu para a carreira de apresentadora, estando na Globo até hoje com muito sucesso. Antônio Prata também ficou na Globo e hoje é um dos maiores cronistas do país, se não for o maior. Carlos Lombardi falou com entusiasmo do processo de trabalho com ele e Chico Mattoso, do quanto eles eram talentosos.

Mario Prata ficou contratado da TV Globo até o fim do compromisso assinado. Depois voltou a se dedicar somente a seus livros e demais projetos pessoais. Novela, segundo ele, nunca mais.

Será?

Eu acho uma pena.

Entrevista de Prata para a Revista Trip onde ele explica muito do que eu digo neste post. Pra ouvir na íntegra CLIQUE AQUI.

Mario tem muito a oferecer à televisão de hoje. Apesar de ser um senhor no gozo dos privilégios que a terceira idade dá, sua alma é a mesma da do moleque curioso que saiu de Lins para conquistar o Brasil com seu talento. Prata é muito jovem, no mais amplo aspecto que a palavra possa ter. É muito culto, preparado e bem informado, mas nada formal e, mais importante, livre.

A TV, se quiser sobreviver em meio a tantas mídias muito mais democráticas e interessantes, vai ter de garantir liberdade criativa a seus colaboradores para que estes busquem novos caminhos e reinventem a telenovela. Tenho plena convicção que este momento conservador que estamos passando vai desaparecer e quem for mais criativo e interessante vai sobreviver com vantagens competitivas.

Mario Prata é um sobrevivente das novelas. Mesmo em seu maior sucesso, a inesquecível Estúpido Cupido. levou porrada de todos os lados. Tarso de Castro afirmava na Folha de São Paulo que a novela era péssima. “O que estamos assistindo, com essa novela, e o melhor trabalho desenvolvido pela TV Globo em favor da alienação. Por exemplo: ele tratou de esquecer que foi justamente durante a década de 60 que houve a grande entrada da juventude nas renuncias pessoais em favor da luta. E, a partir desse fato, foi que se formou um tipo de participação dos meninos no chamado futuro cultural, ou seja, temos hoje toda uma geração daquele tempo participando da literatura em termos queixosos (e, mesmo, carregados de impotência)”.

Em Sem Lenço Sem Documento a censura destruiu a novela logo na primeira semana de exibição. Ele sobreviveu à queda da Tupi, à decadência da Manchete, ao sonho do SBT destruído pelo Plano Collor, foi pra Portugal, voltou, se virou de todas as maneiras para ganhar dinheiro e, estabilizado e bem sucedido com seus livros e crônicas na imprensa, voltou a tomar muita porrada na Globo.

É compreensível que tenha se enchido das novelas. Apesar de não mais escrevê-las, ele dá um importante conselho para quem pense em se aventurar nesta arte ingrata: “Uma boa história não precisa de esquemas. Procure assistir às atuais séries suecas e dinamarquesas e às da BBC. Leia muitos livros policiais bons. Um bom livro policial é sempre um roteiro vivo. A dramaturgia dos livros policiais é uma aula. E ainda: leia as 16 peças do Nelson Rodrigues e todos os seus romances. Isso sim será uma alta ajuda. O Nelson é o avô e pai de todos os roteiristas brasileiros.”

Lamento muito, como fã e como roteirista. Sua peça Fábrica de Chocolate, por exemplo, daria um novelão.

Carlos Lombardi também sofreu muito com a crítica, a meu ver injustamente. Ele fez o que devia fazer: tentar colocar a novela nos trilhos de audiência que a TV Globo determina. Respeitou a criação do Prata e deu sua cara ao produto. Ambos merecem aplausos. Quem vacilou foi o público, que não soube aproveitar uma das novelas mais bacanas que já tivemos no horário das sete.

Já faz dez anos. Parece que foi ontem.

bangbang

FICHA TÉCNICA

Autoria: Mário Prata e Carlos Lombardi
Colaboração: Ana Ferreira, Antonio Prata, Reinaldo Moraes, Chico Mattoso, Filipe Miguez e Márcia Prates
Direção: Paulo Silvestrini, Carlos Boeckel, Ary Coslov e Carlo Milani
Direção-geral: José Luís Villamarin
Direção de núcleo: Ricardo Waddington
Período de exibição: 03/10/2005 – 21/04/2006
Horário: 19h
Nº de capítulos: 173

Elenco:

Alexandre Zacchia – Fidel
Alice Borges – Irmã Socorro
Alinne Moraes – Penny Lane
Ana Roberta Gualda – Polly
Anderson Lau – Sheng Leng Júnior
André Bankoff – Pete (Peter Johnson)
Andréa Busato – Ingrid
Andréa Leal – Anastácia
Angelina Muniz – Violeta Bolívar
Ariela Massotti – Brenda Lee
Babi Xavier – Marilyn Corroy
Betty Lago – Calamity Jane/ Mike
Bianca Byington – Viúva Jones
Bruno Garcia – Ben Silver
Carl Schumacker – Coppola
Carla Marins – Alba
Carlos Bonow – Hector
Carol Castro – Mercedita
Cássio Nascimento – Charles Muller
Castro Gonzaga – Dr. Freud
Cláudia Borioni – Madre
Cláudia Lira – Diva
Cosme dos Santos – Rush
Cris Bonna – Dorothy
Daniele Suzuki – Yoko Bell
Dary Reis – Bandido
Eduardo Dussek – Príncipe Von Kristoff
Elias Gleizer – Bispo
Eliezer Motta – Tonto
Ernani Moraes – Frank Black Night/ Prima Dolores
Eucir de Souza – Fox
Evandro Mesquita – Henaide/ Billy The Kid/ Simon/ Edílson
Fábio Herford – Washington
Felipe Cardoso – Don
Fernanda de Freitas – Catty
Fernanda Lima – Diana Bullock
Fernanda Rodrigues – Daisy
Flávia Monteiro – Samanta
Genésio de Barros – Javier Bolívar
Giulia Gam – Vegas Locomotiv
Grace Gianoukas – Esmeralda
Guilherme Berenguer – Neon Bullock
Guilherme Fontes – Jeff Wall Street
Guilherme Piva – Ricky, mordomo inglês que participa do leilão de Viridiana (Joana Fomm); Smith, cozinheiro atrapalhado contratado por Vegas (Giulia Gam); Empregado do hotel onde Henaide (Evandro Mesquita) e Denaide (Kadu Moliterno) se hospedam em Santa Fé
Humberto Carrão – Pablito
Ida Gomes – Irmã Encarnación
Iran Malfitano – Mac Mac
Jairo Mattos – Dong-Dong
Jece Valadão – Joe Wayne
Joana Fomm – Miriam Viridiana McGold
Joana Limaverde – Lana
Júlia Sabugosa – Carmencita
Juliana Guimarães – Fiona
Júlio Rocha – Baby Face
Kadu Moliterno – Denaide, Jesse James, Garfunkel, Denílson
Larissa Bracher – Jéssica
Leona Cavalli – Pistoleira no último capítulo
Leonardo Netto – Jack Seca Cangote (Vampiro de Alabama)
Licurgo Spínola – Xerife Jordan
Luca de Castro – Juiz
Luciana Braga – Viúva Clark
Luiz Melodia – Sam
Marco Ricca – Gogol
Marcos Pasquim – Crazy Jake
Maria Helena Velasco – Mãe Bizerra
Mário Gomes – Xerife Greg Taylor
Marisa Orth – Ursula Lane
Mauren Macgee – Tábata
Maurício Pereira – Jack Label
Mauro Mendonça – Paul Bullock
Miguel Nader – Dragon
Miguelito Acosta – Puro Osso
Murilo Rosa – Josh Lucas
Nair Bello – Dona Zorrah (Leona Lake)
Ney Latorraca – Aquárius
Nica Bonfim – Mamma Jack
Paulo Miklos – Kid Cadillac
Paulo Vespúcio – Hunter
Raphael Rodrigues – Bike-Boy
Renato Borghi – Ernest
Renato Consorte – Padre Jeremy Hacker
Ricardo Duque – Bob
Ricardo Pavão – D. Pedro II
Ricardo Tozzi – Harold / Lobo
Rodrigo Lombardi – Mister Zoltar
Roney Facchini – Nicola Fellini
Roumer Canhães – Absurd Boy
Rui Resende
Sidney Magal – Zorroh
Silvia Nobre – Pena Levinha
Sônia Siqueira – Zulma
Tarcísio Meira – John McGold
Tatianna Monteiro – Elga
Ted Boy Marino – Bandido
Thalma de Freitas – Baiana
Wilian Vita – Johnny Carniceiro
Zé Carlos Machado – Sr. Armstrong
Zeli Oliveira – Nalda

Direção de arte: Mário Monteiro
Cenografia: Alexandre Gomes, Fabbio Gomes, Juliana Carneiro, Kaká Monteiro e Marcelo Carneiro
Assistência de cenografia: Alexis Pabliano, Anne Marie, Carlos Possinhas, Cristiane Fassini, Daniel Cordeiro, Flavia Yared, Gilmar Ventura, Mayene Precioso, Paula Camargo, Renata Romano, Renata Xavier, Ricardo Teixeira, Silvia Sávio e Tatiana Cordeiro
Figurino: Emilia Duncan e Marie Salles
Assistência de figurino: Antonio Medeiros, Fernanda Danetra, Julia Ayres, Márcio Maciel e Regina Raposo Vasconcellos
Equipe de apoio ao figurino: Cleide Durval, Deivid Vieira, Eliane Mendes, Francisco Conceição Paula, Helena Ribeiro, Jurema Garcia, Lícia Margarida, Luis Carlos de Souza, Marcos Avisk, Nasare Amorim, Rildo Theodoro, Sheyla Helena e Valdenir Nunes
Direção de fotografia: Ricardo Gaglianone e Fernando da Silva Santos (Fernando Xuxa)
Direção de iluminação: Jandir Magalhães
Equipe de iluminação: Alexandre Coutinho da Silva, Alexandre Ribeiro da Costa, Edimilson da Silva, Francisco Gonçalves da Silva, Givaldo Nunes dos Santos, José Carlos Tavares, Julio Rosa, Márcio Estevão, Mário Vicêncio, Thiago Costa e Vitor Manoel Nunes Martins
Produção de arte: Angela Melman
Assistência de produção de arte: Cláudia Grether, Danielle Oliveira, Leda Van e Vanessa Moraes
Equipe de apoio à arte: Antonio Gonzales da Rocha, Antonio Joaquim Mendes, Jorge Luiz Cirilo, Marcos de Oliveira e Mauro Almeida Moreira
Produção de elenco: Luciano Rabelo
Produção musical: João Paulo Mendonça
Direção musical: Mariozinho Rocha
Desenho de caracterização: Alessandro de Souza
Caracterização: Marcelo Ancillotti e Maria Graça Torres
Equipe de apoio à caracterização: Adriano Manques, Alexandre Rodrigues, Everton Rodrigues, Everton Soares, Fabio Montez, Josicler Rodrigues, Maria do Socorro Baptista, Sandro Lisboa e Sonia Carvalho
Edição: Gilson Câmara, Ricardo Marzullo, Marcos Moura e André Leite
Sonoplastia: Octávio Lacerda e Raphael Salles
Efeitos visuais: Gustavo Garnier e Capy Ramazzina
Efeitos especiais: Federico Farfan
Abertura: Hans Donner, Alexandre Pit Ribeiro e Roberto Stein
Direção de imagem: Márcio Salim
Câmeras: Edison da Silva Carvalho, Glicério Mariano, Isac Coelho Bezerra Neto, Ricardo da Silveira, Rubem Joseph Djelberian e Thelso Batista
Equipe de apoio à operação de câmera: Alex Muller, Jerônimo Araújo Miranda, Luis Carlos da Silva, Paulo Sérgio Oliveira e Pedro Branciforte
Equipe de vídeo: Anderson de Oliveira, Edilene Rodrigues Barbosa e Jorge José Alves de Brito
Equipe de áudio: Antonio Edson Magalhães, Evandro Sardinha Bernardes, Gilberto Ramiro, Gustavo Nunes, Josias Guimarães, Paulo César Ferreira Spena e Renato Ignácio dos Santos

Supervisão e operação de sistema: Adelto Martins, Augusto Palmieri, Guassalin Nagen, Ivo Soares, Marco Cheriff e Roberto Brasil
Gerência de projetos: Francisco Antonio Mesquita Neto
Supervisão de produção de cenografia: Antonio Carlos Pereira da Silva, Lenilson Scarpini, Roberto Marques e Guilherme Senges
Equipe de cenotécnica: Sergio Cortes, Ana Paula Lima, Flávio Wayne, Rosalie Anne, Vanessa Salgado, Queila Costa, Eduardo Fonseca, Felipe Mendes, Milena Cangussu, Ronaldo Lopes, Altamir Oliveira Dias, André Luiz Vieira, Bruno Ribeiro Braga, Ednaldo Jose Pinheiro, Edvaldo Souza do Egito, Fabio Ricardo Ruivo, Luis Carlos Cardoso, Luis Claudio Araújo, Marcelo Fernandes da Silva, Mario Durval de Almeida, Monica Santos Almeida, Nelson Hani Junior, Paulo Sergio Sardinha, Reinaldo da Cruz Maciel, Roberto Ribeiro, Sergio Rodrigues de Souza, Silenio de Jesus Novo, Wanda Maria Guimarães, Washington Luiz Santiago, Aguinaldo Ramos da Silva, Claudiano Ferreira da Silva, Claudianor Roberto Silva, Cosme Jose Silva Costa, Edson Cardoso de Andrade, Emerson Vago, Ernani Moura Souza, Fabio Candido Silva, Fabio Rodrigues de Oliveira, Gelson Domingos, Helvis Mariano Celestino, Joao Batista Oliveira, Joel Nascimento, Jorge Cabral da Silva, Jorge Ferreira, Jose Fernandes de Souza, Luis Roberto Divino, Marco Aurelio de Moraes, Pedro Batista Jose Braz, Rubinei Silva Torres, Willian Gomes Felinto e Wilson Jose dos Santos
Continuidade: Aurora Chaves, Danielle Bernardes e Mônica de Brito
Assistência de direção: André Toscano, Isabella Secchin, Thiago Teitelroit
Produção de engenharia: Marcelo Fernandes
Equipe de produção: Rodrigo Rocha, Daniel Ruiz, Isis Kelly, Silvania Sant’Anna, Walter José e Wilson Garita
Coordenação de produção: Mario Jorge e João Romita
Gerência de produção: Roberto Câmara
Direção de produção: Alexandre Ishikawa

TRILHA SONORA

Last Ride
Compositor: Dalibor Pavi
Intérprete: The Bambi Molesters

De Perto
Compositores: Herbert Vianna
Intérprete: Os Paralamas do Sucesso

Nós Dois
Compositores: Luiz Melodia / Renato Piau
Intérprete: Luiz Melodia

Canção Agalopada
Compositores: Zé Ramalho
Intérprete: Zé Ramalho

Balada do Céu Negro
Compositores: Tuco Marcondes/ Zeca Baleiro
Intérprete: Zeca Baleiro

Tempos de Cowboy
Compositores: Blitz
Intérprete: Blitz

Coração do Meu Mundo
Compositores: Black Alien
Intérprete: Black Alien

Os Dois no Ar
Compositores: Paulo Miklos
Intérprete: Paulo Miklos

Não Resisto a Nós Dois
Compositores: Wanessa Camargo/ Zé Henrique/ Carlos Colla
Intérprete: Wanessa Camargo

Big Blue Sea
Compositores: Bob Schneider
Intérprete: Bob Schneider

Love Me Tender
Compositores: Elvis Presley
Intérprete: The Originals

Quem, Além de Você?
Compositores: Leoni
Intérprete: Leoni

I’ve Been Thinking
Compositores: Supla
Intérprete: Supla

Malagueña
Compositores: Ernesto Lecuona
Intérprete: The Bambi Molesters

PERSONAGENS

JOHN MCGOLD (Tarcísio Meira) – Xerife de Albuquerque e ponto de equilíbrio da cidade e da família. É marido de Viridiana (Joana Fomm) e pai de Úrsula (Marisa Orth) e Dorothy (Cris Bonna). No passado, foi sócio de Paul Bullock (Mauro Mendonça), hoje é seu grande inimigo. Ao se separarem, ficou apenas com uma pequena porção de terra, onde deu a sorte de descobrir uma mina de ouro. A história começa em seu último dia de trabalho. Quando está prestes a se aposentar, Joe Wayne (Jece Valadão), o pistoleiro que mandou para a prisão há 20 anos, volta e trava com ele um duelo fatal.
MIRIAM VIRIDIANA MCGOLD (Joana Fomm) – Uma mulher forte que, ao ficar viúva de John McGold (Tarcísio Meira), tenta assumir as rédeas da cidade e da família. É mãe de Úrsula (Marisa Orth) e Dorothy (Cris Bonna). Miriam é uma espécie de conselheira da população carente e une forças para pagar as dívidas deixadas pelo marido.
ÚRSULA LANE (Marisa Orth) – Filha mais velha de John (Tarcísio Meira) e Viridiana (Joana Fomm) e irmã de Dorothy (Cris Bonna). É a grande beata da cidade e líder da comunidade religiosa. Mora com o marido Aquárius (Ney Latorraca) e a filha Penny Lane (Alinne Moraes) na fazenda dos McGold. Criou sua sobrinha Catty (Fernanda de Freitas).
AQUÁRIUS (Ney Latorraca) – Marido de Úrsula (Marisa Orth) e pai de Penny Lane (Alinne Moraes). É um cientista sonhador, sempre às voltas com suas invenções. É aquariano e acredita estar vivendo cem anos à frente de seu tempo. Entre um projeto e outro, leva palestrantes para a cidade, como Freud (Castro Gonzaga).
PENNY LANE (Alinne Moraes) – Filha de Úrsula (Marisa Orth) e Aquárius (Ney Latorraca). Penny é uma menina moderna e culta. Formou-se em Física Avançada na capital e traz novidades para Albuquerque. Namora Neon (Guilherme Berenguer), filho de Paul Bullock (Mauro Mendonça), considerado um péssimo elemento por Úrsula.
DOROTHY (Cris Bonna) – Filha de John (Tarcísio Meira) e Viridiana (Joana Fomm) e irmã de Úrsula (Marisa Orth). Foi uma das grandes vítimas da chacina ocorrida há 20 anos: os disparos a deixaram inválida. Hoje, numa vida vegetativa, está sob os cuidados da filha Catty (Fernanda de Freitas) e do marido Dong-Dong (Jairo Matos), quando ele consegue ficar sóbrio.
DONG-DONG (Jairo Matos) – Começou a beber desde o acidente com sua mulher Dorothy (Cris Bonna). Em determinado momento, encontra o diário dela e morre de ciúmes das aventuras da amada nos loucos anos 1960. Ele passa a ler os escritos para a esposa, o que o deixa em constante oscilação. Dong-Dong é pai de Catty (Fernanda de Freitas).
CATTY (Fernanda de Freitas) – Filha de Dong-Dong (Jairo Matos) e Dorothy (Cris Bonna). Ficou parcialmente órfã quando a mãe entrou em coma profundo. Por conta disso, foi criada pela tia Úrsula (Marisa Orth), de quem aparentemente herdou toda a beatice. Parece uma mulher sem graça, daquelas que só andam de preto e usam óculos fundo de garrafa. O visual contrasta com seus pensamentos mais íntimos, pois vive sonhando com príncipes encantados.
ZULMA (Sônia Siqueira) – Eterna babá dos McGolds e grande parceira de Miriam Viridiana (Joana Fomm). É mulher de Sam (Luiz Melodia) e mãe de Bike-Boy (Raphael Rodrigues). Os três herdam do patrão, John (Tarcísio Meira), uma mina de ouro, que, pelo menos na época, estava inativa.
SAM (Luiz Melodia) – Pianista do saloon, marido de Zulma (Sônia Siqueira) e pai de Bike-Boy (Raphael Rodrigues). Sam é um homem silencioso, que prefere o som dos instrumentos. Quando há briga no estabelecimento, preocupa-se apenas em tirar o grande espelho oval do local.
BIKE-BOY (Raphael Rodrigues) – Filho de Sam (Luiz Melodia) e Zulma (Sônia Siqueira) e o melhor amigo de Pablito (Humberto Carrão). Trabalha para toda a cidade como uma espécie de motoboy. Tem uma ginga malandra, fala gírias e apavora Albuquerque com a maneira suicida de conduzir sua bicicleta.
PAUL BULLOCK (Mauro Mendonça) – Um vilão de marca maior. Depois da morte do inimigo McGold (Tarcísio Meira), aproveita para tentar executar um antigo plano: expulsar os colonos das terras e liberá-las para criar mais gado e abrir caminho para o trem, valorizando sua propriedade. Bullock reafirma sempre seu poder, mas apresenta uma grande fraqueza: sua filha, Diana (Fernanda Lima). O viúvo é tremendamente apaixonado pela filha e, no carinho com que a trata, vê-se um lampejo de humanidade. Paul também é pai de Neon (Guilherme Berenguer). Ninguém toca no nome de sua falecida mulher, cuja morte é um mistério. Paul é também viciado em bilboquê.
DIANA (Fernanda Lima) – Filha de Bullock (Mauro Mendonça) e irmã de Neon (Guilherme Berenguer). Ajuda o pai no trabalho da fazenda e deixa muito homem de queixo caído. É linda, íntegra, durona e se veste como cowboy. Apaixona-se por Ben Silver (Bruno Garcia), com quem forma o principal par romântico da novela. A relação é marcada por conflitos por conta da missão do forasteiro. O amor pelo pai a impede de perceber que ele é um vilão.
NEON (Guilherme Berenguer) – Um rapaz moderno, que usa brinco e tem uma imensa tatuagem nas costas. Foi estudar Agronomia e Pecuária na capital, mas voltou formado em Canto e Dança, para desespero de seu pai Bullock (Mauro Mendonça). Os atritos com o vilão são muitos e se agravam quando Neon se apaixona pela bela Penny Lane (Alinne Moraes), uma McGold. A única que parece apoiá-lo em casa é sua irmã Diana (Fernanda Lima), com quem troca confidências.
JEFF WALL STREET (Guilherme Fontes) – Contador de Bullock (Mauro Mendonça) e um “almofadinha” para lá de esperto. Sua meta é se casar com Diana (Fernanda Lima) e ficar com toda a fortuna do pai da moça. Está por trás da construção do banco e da vinda das meninas de Vegas Locomotiv (Giulia Gam) para a cidade.
SHENG LENG JÚNIOR (Anderson Lau) – Filho de Sheng Leng Sênior, ex-capanga-mor de Bullock (Mauro Mendonça), e amigo de Neon (Guilherme Berenguer) e Diana (Fernanda Lima). Gente muito boa, usa aparelho corretivo nos dentes e tem um quê de engraçado. É meio ninja, frio, calculista e de poucas palavras.
MÃE BIZERRA (Maria Helena Velasco) – Senhora índia que trabalha há muitos anos na casa dos Bullock. Ajudou a criar Diana (Fernanda Lima) depois da morte da mãe da menina e tornou-se sua confidente e protetora. Bizerra acredita que os bois dos patrões são a reencarnação de seus antepassados. É capaz de passar horas conversando com uma vaca como se fosse sua tia-avó.
WASHINGTON (Fábio Herford) – É o capitalista que chega à cidade para divulgar a ferrovia. Um homem sem escrúpulos e que se esforça para convencer as pessoas de que o trem trará o progresso.
VIOLETA BOLÍVAR (Angelina Muniz) – Esposa de Javier (Genésio de Barros) e mãe de Pablito (Humberto Carrão) e Mercedita (Carol Castro). Trabalha como empregada na casa dos Bullock e gosta muito de Diana (Fernanda Lima). Não demora a descobrir que Ben Silver (Bruno Garcia) é o filho desaparecido de seus amigos Pepe e Lucy Silver.
JAVIER BOLÍVAR (Genésio de Barros) – Homem com ideais igualitários, embora sem muita esperança. É adepto do pacifismo e tenta convencer Ben Silver (Bruno Garcia) a não se vingar de Bullock (Mauro Mendonça). Vive com a mulher Violeta (Angelina Muniz) e os filhos Pablito (Humberto Carrão) e Mercedita (Carol Castro). Tem um grande sonho: ver o mar. Constrói um barco no quintal de sua casa.
MERCEDITA (Carol Castro) – É a linda filha de Javier (Genésio de Barros) e Violeta (Angelina Muniz) e irmã de Pablito (Humberto Carrão). Cuida de uma horta nos fundos da casa e vende a colheita pela cidade, em uma carrocinha. Apaixona-se por Ben Silver (Bruno Garcia) e disputa o amor do herói com Diana (Fernanda Lima).
PABLITO (Humberto Carrão) – Filho de Javier (Genésio de Barros) e Violeta (Angelina Muniz) e irmão de Mercedita (Carol Castro). Trabalha levando comida para o pessoal da cadeia e fica encantado com as histórias de Ben Silver (Bruno Garcia). Pablito sente-se atraído por mulheres mais velhas, mas logo se apaixona por Tábata (Mauren Mcgee). Essa paixão cria conflitos com o seu amigo Bike-Boy (Raphael Rodrigues), também encantado pela jovem.
DENAIDE (Kadu Moliterno) – Irmã de Henaide (Evandro Mesquita), com quem mantém o único hotel da cidade. Parecem duas senhoras solteironas que adoram sentar na varanda e fofocar. Mas, na verdade, são dois bandoleiros que se disfarçam de mulher para não serem reconhecidos. Denaide é o famoso Jesse James e, quando não está sendo visto por ninguém, engrossa a voz e fala como homem com o parceiro. Os dois trocam, inclusive, comentários sobre as mulheres que passam.
HENAIDE (Evandro Mesquita) – É o conhecido bandido Billy The Kid, que vive em Albuquerque disfarçado de mulher. Conta com a cumplicidade de seu parceiro, Jesse James (Kadu Moliterno), que finge ser Denaide.
ZORROH (Sidney Magal) – Depois de aposentado, Zorro abre uma barbearia e coloca um “h” no nome por recomendação de uma numeróloga. A espada dá lugar à tesoura, e ele passa a cortar o cabelo de todos na cidade.
TONTO (Eliezer Motta) – Um índio que carrega na cabeça uma pena para lá de antenada. O acessório funciona como uma espécie de alerta e fica ereto quando sente algum perigo. Tonto é também lacônico, faz breves comentários e trabalha com o grande amigo Zorroh (Sidney Magal) na barbearia.
BAIANA (Thalma de Freitas) – A única brasileira de Albuquerque. A cozinheira baiana trabalha no hotel de Denaide (Kadu Moliterno) e Henaide (Evandro Mesquita) e conquista todos com suas receitas. Bullock (Mauro Mendonça) a alforriou quando esteve no Brasil comprando gado zebu, e ela acabou indo morar nesse recanto do velho oeste. Faz despachos e joga búzios.
JACK LABEL (Maurício Pereira) – Barman dedicado, que sempre fica a favor dos clientes. Não se preocupa em defender bandidos ou mocinhos, desde que sejam bons fregueses. Quando sente que vai acontecer alguma briga no saloon, retira, com a ajuda de Sam (Luiz Melodia), o enorme espelho que fica atrás do balcão.
HAROLD (Ricardo Tozzi) – Médico e amigo de Charles (Cássio Nascimento), com quem forma uma dupla de intelectuais “de esquerda”. Os dois são clientes assíduos do saloon. Harold é o médico que cuida de Dorothy (Cris Bonna), a esposa de Dong-Dong (Jairo Mattos). Torna-se psicanalista depois da passagem de Sigmund Freud (Castro Gonzaga) pela cidade.
CHARLES MULLER (Cássio Nascimento) – Jornalista e editor da Gazeta de Albuquerque. É um jovem sonhador que traz ideias democráticas para a cidade e luta contra a implantação da ferrovia e as desapropriações. É grande amigo de Harold (Ricardo Tozzi) e se apaixona pela Baiana (Thalma de Freitas).
KID CADILLAC (Paulo Miklos) – É um grande bandido, conhecido por sua mira perfeita. Começa a novela preso e praticamente aposentado, mas é um personagem fundamental na instalação da balbúrdia em Albuquerque. Sem caráter algum, apaixona-se pela bela e pura Brenda Lee (Ariela Massoti).
ABSURD BOY (Roumer Canhães) – Um homem sem memória. Não se lembra de onde veio ou quem é. Tem um ar meio aéreo e levemente abobado. Chegou à cidade há cinco anos e se tornou amigo de Kid Cadillac (Paulo Miklos). Joga cartas como ninguém, mas nunca leva nada, porque o parceiro não admite perder.
PADRE JEREMY HACKER (Renato Consorte) – É um padre bonachão e amigo de todos na cidade.
ERNEST (Renato Borghi) – É o sacristão de Albuquerque e dono do Ernest Magazine, o armazém da cidade. Foi o primeiro namorado de Miriam Viridiana (Joana Fomm), mas o romance foi interrompido, porque os pais dele o mandaram para o seminário de Santa Fé. Quando ela fica viúva, Ernest resolve tentar reconquistá-la e dá uma de “galante antiquado”, cheio de frases feitas.
BEN SILVER (Bruno Garcia) – O herói da história é filho de um casal de colonos. É um jovem contido, de poucas palavras e uma mira certeira. Cresceu carregando no peito o desejo de vingança. Ainda menino, viu a família ser dizimada em Albuquerque e retorna à cidade para se vingar do mandante da chacina: Paul Bullock (Mauro Mendonça). Por armadilha do destino, apaixona-se por Diana (Fernanda Lima), filha do inimigo, e fica dividido entre o amor e o plano, há muito traçado.
GÓGOL (Marco Ricca) – Um malandro profissional, cujo maior talento é adaptar-se a qualquer circunstância e, à sua maneira, tirar proveito dela. Oficialmente, apresenta-se como “vendedor”, mas perdeu tudo no pôquer. Vê a chance de mudar sua vida quando encontra, com o parceiro Rush (Cosme dos Santos), o futuro xerife de Albuquerque morto no deserto. Decide assumir a identidade do cadáver e ir à busca de um futuro promissor.
RUSH (Cosme dos Santos) – Ajudante de Gógol (Marco Ricca). É um baita espertalhão. Conheceu o parceiro na cadeia e, desde então, tornaram-se amigos inseparáveis. Vai para Albuquerque como ajudante do falso xerife, mas é mais precavido do que o amigo. Tem sempre um pé atrás, apesar de ser sempre atropelado pela impetuosidade do comparsa.
INGRID (Andréa Busato) – Esposa do verdadeiro xerife, encontrado morto por Gógol (Marco Ricca) e Rush (Cosme dos Santos). Chega à cidade quando o falso xerife está mais do que estabelecido. Lá reencontra a antiga amiga Vegas (Giulia Gam).
VEGAS LOCOMOTIVE (Giulia Gam) – Uma grande empresária que segue os trilhos do trem. Chega a Albuquerque acompanhada de suas meninas, antes da ferrovia, no intuito de alugar uma casa e começar o negócio. Seu grupo faz sucesso com os homens em todas as cidades. É amiga do falso xerife Gógol (Marco Ricca) desde os tempos da capital. Os dois se reencontram e reatam o velho caso.
ELGA (Tatiana Monteiro) – Dinamarquesa que entrou para o grupo de Vegas (Giulia Gam) por livre e espontânea vontade. Não tem problema algum com isso. Faz o maior sucesso entre os homens e é objeto de estudo de Aquárius (Ney Latorraca) em uma de suas experiências. No fundo, quer mesmo é se apaixonar.
MARILYN CORROY (Babi Xavier) – Linda mulher que decidiu trabalhar com Vegas (Giulia Gam) depois que o grande amor de sua vida a deixou. Tem algo de triste e nunca se apaixona. Parece estar envolvida em uma espécie de vingança e faz muitos homens sofrerem. É católica, mas, por conta da profissão, é impedida de frequentar a igreja pelo padre Hacker (Renato Consorte) e por Úrsula (Marisa Orth), mas o sacristão Ernest (Renato Borghi) sempre arruma uma forma de ajudá-la a assistir à missa. Albuquerque lhe reserva boas surpresas e é lá que encontra um velho conhecido: Zoltar (Rodrigo Lombardi).
YOKO BELL (Daniele Suzuki) – Gueixa japonesa, que veste roupões de seda e tem trejeitos típicos. É a primeira a chegar a Albuquerque por conta de um acordo com Bullock (Mauro Mendonça). O vilão a contrata para conquistar seu filho Neon (Guilherme Berenguer). O rapaz, sem saber a verdadeira profissão da moça, cai na armadilha.
BRENDA LEE (Ariela Massoti) – Menina bela e pura, sobrinha de Vegas Locomotiv (Giulia Gam). Acompanha o grupo da tia, mas é criada como uma verdadeira “patricinha”. Ela e os garotos da cidade se empenham para construir a escola local.
NICOLA FELLINI (Roney Facchini) – Dono do Gran Circo Fellini, além de acrobata e malabarista. É o melhor amigo de Zoltar (Rodrigo Lombardi) e Tábata (Mauren Mcgee).
MISTER ZOLTAR (Rodrigo Lombardi) – Mágico e hipnotizador italiano. É um homem misterioso, diz coisas que ninguém entende e faz truques também fora do circo. Atua no saloon, na rua, nos almoços e, principalmente, no pôquer.
TÁBATA (Mauren Mcgee) – Filha e ajudante de Zoltar (Rodrigo Lombardi). Fica amiga de Pablito (Humberto Carrão) e Bike-Boy (Raphael Rodrigues), levando os dois a se apaixonarem por ela.

DADOS: MEMÓRIA GLOBO

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44 comentários em “Dez anos de Bang Bang. Dez anos de polêmica.

  1. Interessantíssimo o post… não sabia como era a idéia da novela até sua realização anos depois, bacana ler as polêmicas relacionadas a fernanda lima, prova de amor e o referendo do desarmamento, disso eu lembro… caramba, realmente, parece que foi ontem.

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  2. Amante da novela, dos personagens e da trilha sonora, senti tudo isso narrado nesse post e mais um pouco, pois toda novela se mescla também com os fatores pessoais da vida de cada um . Senti a novidade do primeiro capítulo, a crise do meio , a diminuição dos capítulos, o referendo, a entrada de Lombardi e o excelente desenrolar de todas as tramas. A diligência com a Diana caindo no despenhadeiro do penúltimo capítulo ainda corre pela minha cabeça com a mesma adrenalina. Sem falar no quiz do site da Globo sobre Bang Bang que quase me conferiu o prêmio , o cd da novela, se não fossem os fãs mais afoitos que eu . “O nome dela é Diana Cê já ouviu falar A mulher mais gata do sistema solar Bang Bang Bem Bem alguém atirou em mim foi meu bem …”

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  3. caramba!! que legal essa materia, tudo bem explicado, com os pingos nos is, bem diferente do que geralmente vemos na uol, alguns colunistas apenas se ligando em numeros (por vezes bem errados) e elogiando (mais uma vez) produções da record, mesmo com atores pessimos, figurinos estranos e historinha sem graça, só pq esta ameaçando a globo

    os portais precisam de gente inteligente assim!!!

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  4. Que texto rico! Maravilhosas entrevistas, citações e um Flashback daquele 2005 conturbadissimo. À época eu era criança e detestava a novela, mas o via por ser noveleiro nato e pq Marisa Orth era maravilhosa como sua Ursula Mcold!! Nunca achei a Fernanda Lima ruim, como o Lombardi bem disse, era só crua. Vale ressaltar a música do casal principal, cantada pela Wanessa Camargo que explodiu Brasil a fora. Enfim, acho que a trama virou um cult rs. Parabéns pelo texto riquíssimo!!

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  5. Eu amava Bang Bang, mas confesso que também amava Prova de Amor. Tinha que me revezar entre as duas para assistir. Concordo com você sobre inovação é uma pena não termos tantas novelas assim. Os autores se propõem a fazer, mas é tão difícil a aprovação de uma sinopse de novela diferente. Existem muitos projetos não aprovados na Globo, SBT, Record, Band, Manchete e Tupi e que deviam ser aproveitado justamente para se experimentar mais. Muito obrigado pela a postagem, pra mim foi ótimo relembrar Bang Bang; que foi uma das melhores novelas da 7 pra mim, gostei mais de O Beijo do Vampiro na faixa, mas não tiro o mérito dela.

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      1. Mas eu também sou fã de Bang Bang, depois de O Beijo do Vampiro, que é minha novela preferida, vem Bang Bang na minha lista de melhores novelas da 7.

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  6. Olá José Vitor!Parabéns pelo excelente post desmistificando o ranço negativo que ficou com a novela Bang Bang, por não ter dado e ultrapassado os índices de Ibope que a Tv Globo esperava, e a história da trama não ter agradado a audiência (uma fatia dela) daquele período. Eu concordo com você, que nós público de novelas somos incompreensíveis neste aspecto, pois queremos mudanças na história das novelas, e quando surge algo novo somos arredios com essa novidade. E o fato de não nos sentirmos atraídos por determinada história, não nos dá o direito de criticarmos a carreira de um autor com a experiência vasta como Mário Prata. Fiquei com a sensação que se talvez Bang Bang tivesse sido desenvolvida para o formato seriado teria dado muito certo, porque não receberia a cobrança exagerada do ritmo industrial que envolve a produção das novelas.

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  7. >> Quem vacilou foi o público, que não soube aproveitar uma das novelas mais bacanas que já tivemos no horário das sete.

    Acho complicado dizer isso, a escolha do público deve ser respeitada. É impossível que tantas reviravoltas na narrativa tenham caído como uma pluma aos olhos de quem acompanhava a novela. Me soou um tanto elitista e (muito) puxa-saco.

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  8. Grande texto, José Vitor. Tenho um carinho por Bang Bang, porque foi a atração/novela que me fez voltar a ver TV aberta. Era novo, mas tinha TV por assinatura em casa e na época só via MTV/Fox Kids/ESPN. Quase dois anos nisso. Vi um capítulo da primeira semana de Bang Bang na casa de uma tia e adorei. Decidi seguir, e não me arrependo. Hoje, escrevo para um site sobre televisão, o NaTelinha, parceiro do UOL (www.natelinha.com.br). Certamente, se não fosse Bang Bang, não estaria aqui hoje. É engraçado ver que um fracasso fez você voltar a ver TV aberta. rs Abraço!

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  9. adorava Bang Bang..não perdia um capítulo.
    excelente material apresentado José Vitor. vale muito a leitura.
    um trecho me identifiquei muito.
    “Para mim Bang Bang era pura diversão, puro deleite. Eu não acreditava nas críticas que lia. Como assim não estão entendendo? Como é possível que não achem engraçada?”
    era bem assim que me sentia. era um frescor poder assistir essa delícia de novela todos os dias.

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  10. Que post cuidadoso, cheio de informações sobre a novela e sua época. Um artigo bem elaborado e que me fez sentir vontade de ver a novela, pois assistiria com outros olhos. Quando passou, tentei acompanhar gravando, trabalhava e estudava, fui perdendo o interesse, não continuei, mas guardo algumas recordações, como a música da Diana e o desenho que abriu o primeiro capítulo, bem ao estilo Kill Bill, clássico do Tarantino. Parabéns, Rack. O post bombou!

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  11. Essa novela Bang Bang e umas das melhores novela da globo,eu era criança mais n perdia um capitulo dela ainda assisto ela no youtube.Globo e lixo n coloca ela dnv em vale pena ver de novo tenho certeza que as pessoas ia adora essa novela (y).Amo Bang Bang .

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  12. Morei nos Estados Unidos por seis anos e quando voltei a novela que mais me chamou a atenção foi Bang Bang. O texto era fantástico e as piadas muito boas. Adorei a novela e não consegui entender as críticas na época. Marcou época e vai ficar no coração de todos que gostam de textos inteligentes. O que temos na TV hoje em dia é lixo. Só não gostei do mágico Zoltar morrer no capítulo final. O Mário Prata devia ter usado o filme Silverado como guia. Se bem que acho que ele deve ter visto.
    Um brinde com brandy do Kentucky à última proposta criativa da história da Globo! E depois eles reclamam por que perdem audiência pras novelas da Record…

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  13. Meus parabéns! Descobri esse texto pesquisando por Bang Bang no Google. Olha, eu fico aliviado de saber que não sou o único que defende essa novela com unhas e dentes. Em 2005/2006, era minha diversão de todas as noites. Minha família toda preferia Prova de Amor, que eu achava um lixo, pois só mostrava violência e maldade, e tinha um texto muito pior. Atualmente a Globo apresenta no horário Deus Salve o Rei, que embora seja bem menos engraçada, eu vejo algumas semelhanças com Bang Bang. Ambas sofrem críticas infundadas e sem argumentos. Abraços!

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